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Disparate

Os Caprichos da Pluma de Clara Ferreira Alves

Sobre os caprichos da pluma de Clara Ferreira Alves já muitos escreveram. Vasco Pulido Valente até levou com um processo crime (por lhe ter chamado analfabeta). Mas há caprichos intoleráveis e um deles é querer escrever prosas inspiradas (o que é discutível quando falamos desta autora) recorrendo a “factos” que não o são. No texto que publica na revista “histórica” do Expresso deste fim de semana, a pluma caprichosa  inspira-se numa música do Sérgio Godinho que diz ter ouvido no Verão do PREC de 1975… Problema, a música em que Sérgio Godinho canta “Este é o primeiro dia do resto da tua vida” só surgiu em 1979, como revela o Porta da Loja:

Estávamos em 1975 e Sérgio Godinho cantava uma cantiga de 1978…

O Expresso de hoje publica uma revista que pretende começar a comemorar, com vários meses de antecedência, os seus 40 anos.
A revista, um número abrangendo a primeira década, de 1973 a 1982, a que seguirão outros para outras décadas, é pobre de imagens e de texto.

Para explicar aos leitores o que foi essa primeira década, a direcção do jornal escolheu fotos de Rui Ochôa, que preenchem quase todo o espaço da revista e para escrever umas coisas, o sabe-tudo Miguel Sousa Tavares, mais o historiador Rui Ramos, um pândego da escrita chamado Luís Pedro Nunes e uma impagável Clara Ferreira Alves que ainda há-de chegar a directora do semanário, pelo caminho que o jornal leva.


O texto desta escriba emplumada duma ignorância que já mereceu a V.P.V. um processo crime (por lhe ter chamado analfabeta, o que a mesma achou ofensivo) é de truz.

Começa por relembrar “o Verão do Prec” de 1975 e assegura que “estava sentada numa cadeira ao sol, à beira da piscina pública de Coimbra. Sol de Junho. Nos altifalantes, a voz de Sérgio Godinho: “Este éo primeiro dia do resto da tua vida”.
E remata para o efeito prosódico: “e vem-me à memória uma frase batida: o povo unido nunca mais será vencido”.

Tirando o achado de escrita pindérica, o facto é que em Coimbra, na piscina pública, no mês de Junho de 1975, Sérgio Godinho poderia cantar por altifalantes coisas como o “cão raivoso”, a cachopa que lhe sabia a chocolate ou mesmo “tem ratos”, numa premonição acertada.

Porém, cantar um tema do disco pano cru que apenas saiu em 1978 é que se calhar ainda não podia, por muito esforço que fizesse na voz para a esticar no tempo, assim tanto.

A crónica histórica meteu água de piscina logo no primeiro período. E afundou-se.

https://i1.wp.com/2.bp.blogspot.com/-5E0-rMfjcII/T38jb91Rb0I/AAAAAAAAGrY/FuApFa9cy-Y/s1600/img051.jpg

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