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Anti-Jornalismo

A ameaça dos “aventureiros de meia-tigela””

Numa altura em que se nota nalguns media investimentos de “aventureiros de meia-tigela” com interesses que nada têm que ver com jornalismo e que já deram o belo resultado que se viu no jornal “i”, vale bem a pena ler este  artigo: “Uma profissão sem profissionais“.

Subscrevo inteiramente as palavras de Nobre-Correia quando diz: “Seria uma excelente decisão obrigar os candidatos ao lançamento de novos jornais ou à compra de títulos já existentes a terem que apresentar previamente credenciais de competência e profissionalismo no sector. Até porque estes aventureiros de meia-tigela, que é o que são a maior parte deles, desconsideram a profissão, impedindo que gente séria, sólida, determinada possa sonhar implicar-se no sector”.

Um texto que remete para outro que aqui publiquei e onde refiro a necessária transparência da propriedade de meios de comunicação social, um instrumento fundamental para pôr a descoberto alguns dos poderes fácticos que muito condicionam o que nos “seus” media é publicado ou censurado.

planeta media

Queiram os profissionais da profissão desculpar a impertinência da pergunta. Mas haverá mesmo editores de imprensa em Portugal? Interrogação que poderá parecer absurda, típica de quem vive há longos decénios fora do País. Só que, quando se observa o panorama mediático português destes últimos anos, a resposta não parece que tenha de ser forçosamente afirmativa…

Repare-se nas histórias do Manhã Popular (de Lisboa), do Diário XXI (do Fundão), do Notícias da Manhã (de Lisboa), do Primeiro de Janeiro (do Porto), de As Beiras (de Coimbra), do i (de Lisboa) e alguns mais, para falarmos apenas de diários. Com mortos e enterrados alguns, sobreviventes enfezados e moribundos outros. Muitas vezes sem um projeto editorial claro. Sem equipas de redação suficientes e qualificadas. Nem estratégias promocional e comercial planificadas. Nem sequer políticas de distribuição e de angariação publicitária definidas.

E como é possível imaginar, sem a devida reserva, que gente vinda de sectores totalmente diferentes possa, quase de um dia para o outro, assumir-se como editores? Como não ficar atónito perante as ambições incrivelmente megalómanas de grupos como Lena ou Fólio e a total ausência de estratégia global para os títulos acumulados aqui e ali, um pouco por toda a parte? E como não ficar absolutamente pasmado quando se constata a velocidade com que proprietários e diretores mudam em diários como As Beiras ou o i?

É evidente que é impensável. Mas seria uma excelente decisão obrigar os candidatos ao lançamento de novos jornais ou à compra de títulos já existentes a terem que apresentar previamente credenciais de competência e profissionalismo no sector. Até porque estes aventureiros de meia-tigela, que é o que são a maior parte deles, desconsideram a profissão, impedindo que gente séria, sólida, determinada possa sonhar implicar-se no sector. É que Portugal bem necessidade tem de sair do horrível subdesenvolvimento em que se encontra perante os olhos perplexos do resto da Europa…

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