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Intriga

Mascarenhas e a repetição da falsidade como arma favorita da propaganda

O provedor do leitor do DN, Óscar Mascarenhas, retoma as críticas a uma notícia de primeira página sobre alegados privilégios dos trabalhadores dos transportes, onde, segundo o próprio, se veiculava apenas propaganda governamental de resposta às duas greves no sector e faltava ” a verificação e/ou a confrontação dos visados, nomeadamente através das suas organizações representativas, quanto à veracidade do que nela era afirmado”, mas desta feita para assinalar que a “Repetição da falsidade continua a ser a arma favorita da propaganda“.  Faltou, no entanto, a Mascarenhas ter chamado os “comunicadores pró-governamentais” a que se refere pelos nomes…

Se para Mascarenhas a notícia na origem da polémica “tinha sido um erro jornalístico”, a muita controvérsia online gerada e, em particular, o facto de terem “saltado para a arena do debate dois pesos pesados (disse-me quem sabe disto que são dois pesos pesados) dessa arte da comunicação que tudo faz para evitar ser chamada de propaganda – mas que o é”, já merece novo artigo sobre o tema, de que deixo parte:

Os dois cavalheiros, de meia-idade (isto é, entre a minha e a meninice), têm reputação como quadros superiores de agências de comunicação e alardeiam adjetiva simpatia pelo arco governante. Têm o direito de pensar o que pensam, mas devem também conceder aos outros o direito a relativizar essa opção ideológica pelo facto de fazerem vida de pensar em como dizer bem de alguém ou mal de outro.

Quando dois “comunicadores pró-governamentais” saem à liça para intervir num debate de ideias, para mais com a mesma estratégia de intervenção, é natural que se desconfie das intenções. E quando o seu argumento-chave repete aquele que já havia sido utilizado pelo jornalista criticado – argumento esse que já estava refutado e que os spin doctors repescaram -, acabam por lhe prestar uma má ajuda, cumpliciando-o, decerto contra a vontade dele, em intenções que não tinham sido imputadas.

Que argumento foi esse? O de que eu teria utilizado “fontes anónimas” para elaborar a crítica àquela notícia. Na verdade, na análise que elaborei há duas semanas, referi três testemunhos que me chegaram de trabalhadores dos transportes que refutavam a veracidade das afirmações produzidas na notícia. Na resposta, o jornalista insurgiu-se contra “cartas anónimas” de “leitores anónimos”. Esclareci que não se tratava de ninguém anónimo, estavam identificados perante mim e eu havia decidido resumir a sua identificação a duas iniciais, por razões que cada vez mais se me afiguram ajustadas.

Pois é exatamente o suposto anonimato o estribo em que os dois “comunicadores” assentaram o pé para cavalgar para a batalha da descredibilização do provedor do DN. Mau aviso, mau juízo – revelador de que até na aplicação da técnica em que se adestraram e ganharam fama, falharam o item número um, sobre a possibilidade da missão. Mesmo usando a batota da repetição da falsidade, o que faz pensar que Goebbels, que para muitos é estranho, em alguns se entranhou“.

Mascarenhas continua depois a explicar aos “dois cavalheiros de meia-idade” a diferença entre fonte anónima e fonte confidencial e os motivos que o levaram a não revelar nomes, incluindo a necessidade de proteger as fontes de eventuais presseguições nas empresas.

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